Maria Luisa não tem os dois rins, só sai de casa para fazer hemodiálise, usa máscara para se proteger e para proteger você.

É com muito orgulho que publicamos as sempre sábias palavras da nossa linda, querida, guerreira, nossa inspiração, a flor mais linda que escreve para esse jornal on-line. Com vocês, Maria Luisa Vilella e seu Diário de Renal:

Para foto, sem máscaras…

A quarentena deu um tom diferente pra moda. MÁSCARAS. Eu tenho várias, uma de cada cor, algumas com abelhas, flamingos, bolinhas, com ferrinho, sem ferrinho. Adereço esse que hoje, nem incomoda tanto mais. A quarentena trouxe um peso maior pra hemodiálise, uma responsabilidade que tenho comigo mesma e com os outros. Preciso me proteger com máscara e álcool em gel. Seguindo protocolos, faço o meu percurso três vezes na semana assim como antes. No começo foi difícil aceitar, discuti com meu psicólogo como achava injusto não ter o “privilégio” de fazer a quarentena como os outros.

Achava injusto não ter o “privilégio” de fazer a quarentena como os outros.

Eu queria poder reclamar de ficar em casa também. Fui lembrada de muitos que tem tantos outros problemas e, que, também não podem ficar em casa. Não sustento mais esse tipo de comparação, só que, às vezes, a gente precisa conseguir enxergar mais longe. Então aceitei a minha condição e faço por onde. Na verdade fui presenteada, atualmente é meu pai quem me leva na hemo por vontade própria, só Deus sabe que diferença enorme isso faz, principalmente por poder receber esse cuidado.

Direto do túnel do tempo. Alfredo, um pai sempre presente.

Então eu faço o mesmo trajeto, mas eu experimento a sensação de segurança quando boto meus pés em casa. Meus pés que me levam a tantos lugares e me abrem tantos caminhos. Retiro meus sapatos e troco logo por um par de chinelos. Dou logo um jeito de retirar minhas roupas “contaminadas” para que possam ser lavadas. E tomo o meu sagrado banho.

Sagrados chinelos

Eu sou bastante privilegiada no amor. A essa altura, o jantar está quente, minha mãe me espera em casa com tudo feito carinhosamente. Estou limpa, segura, alimentada e posso relaxar no conforto da minha cama.

Roselandia, companheirismo sempre. Mais que mãe e filha, amigas, cúmplices, companheiras de vida, amor maior. 

Sabe o que eu gosto de verdade?
Vestir um par de meias e sentir meus pés quentinhos e a essa altura minha cama também já está, então eu tiro as meias e percorro todo o caminho frio da cama para que os meus pés aqueçam o que restou. Achei que queria escrever sobre coisas pequeninas, porque acredito que são elas que nos fortalecem. A vida fica inviável quando paramos de perceber o que realmente nos move. Calma, vai ficar tudo bem!

Instagram: @diarioderenal

 

https://www.instagram.com/p/B-KIqFGlHl5/?utm_source=ig_web_copy_link

Deixe seu comentário

Jaque de Bem Autor

Jaqueline de Bem é jornalista por paixão, idealista de coração e amante da verdade. Ajudar o mundo a se comunicar de forma positiva e verdadeira é a sua missão nessa terra.