Diário de Maria – Decidi adotar o lema de viver um dia de cada vez.

Arranquei vários pedaços meus para encarar 2019. Janeiro e fevereiro foram bons comigo. Havia feito planos, mas março já me trouxe a densidade que esse ano teria. Um exame, um quase diagnóstico, negação, raiva, tristeza, porque comigo?

Mil coisas que passaram pela minha cabeça. Tratamento no hospital, tratamento espiritual e todas as formas possíveis de tentar, eu tentei. Noites em claro cogitando quais seriam meus últimos desejos caso isso tudo estivesse certo. Na verdade, se tudo desse errado né?
Me desdobrei, me parti e parti meu coração, me encontrei no fundo do poço. Encarar uma cirurgia, sete horas que meus pais se seguraram na sala de fora. Internação, dor, dor, dor. A dor que a Amanda carinhosamente se propôs em fazer uma massagem que aliviava. Nesse pós operatório até minhas amigas, enfermeiras inclusive, me deram banho no leito. A gente sacudiu o hospital. Aliás, como tudo geralmente por onde eu passo.
A Jô que me buscou no hospital cheias de pontos – só dói quando eu respiro – apesar da dor, rimos muito.
A tia Ana Lilian, tia Viviane, e tia Ana Paula que prepararam tudo pra eu chegar. A Jaque que me incentivou a escrever mais e isso foi importante pra mim.
Maria Luisa Villela está no Facebook: Diário de Renal e no Instagram: @diarioderenal
Foi um looping até junho, 28, quando operei. Outro looping, trinta dias depois quando descobri o resultado da biópsia. Mais um misto de alívio com incerteza. Um aprendizado entre ter calma, acreditar, e querer poder ter escolha, quando eu só podia esperar.
Decidi adotar o lema de viver um dia de cada vez. Essa é uma verdade. Aparentemente fácil, mas não é. Talvez essa seja a lição mais forte do ano. Eu que fui controle, que quis ser rede, hoje eu só quero ser Maria. Ou talvez Malu. Leve, risonha, doce e às vezes ácida, nem sempre compreendida, mas na maioria das vezes agradável. Àquela que ouve elogio sobre a própria energia. Que continua pintando fora da linha, dançando fora do ritmo, que é convidada pra ver o pôr do sol. É essa quem eu quero ser.
De repente o mundo desaba, e a gente tem que aprender a confiar.
Estamos onde devemos estar e é isso meus queridos.
Meus pedaços viraram sementes e eu derrubei algumas por aí, outras eu presenteei embrulhadas porque é assim que eu me vejo, se eu não puder estar, que eu seja lembrada.
Agradeço ao ano e a todos que vieram comigo.
2020, só peço que venha tranquilo.
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