Diário de Maria – A segunda chance – Uma fila de espera chamada esperança.

Abro os meus rascunhos do celular e todos eles estão começados e não enviados porque eu geralmente sou muito exigente comigo mesma. Faço terapia pra entender que todo mundo erra, inclusive eu. Aprendo, principalmente, que nem tudo depende de nós e que às vezes é preciso segurar na mão da nossa consciência e dizer que está tudo bem.

Ontem eu estava vendo um filme que falava sobre segunda chance. E esse é o nome que vou dar a este texto.

Nem todo mundo acerta de primeira, nem sempre temos essa sorte. Pensamos isto pra relações, trabalho, carreira, e outras questões.
Às vezes a gente briga com quem a gente ama, mas porque não tentar de novo?
Semana passada perdemos um apresentador de televisão famoso. Seus órgãos foram doados. E, por mais que esse momento seja doloroso para quem perde, ele pode ser uma segunda chance pra alguém que recebe um órgão. E no meu caso, que aguardo por um transplante de rim, tenho alguns desejos bem particulares.
Quero ter uma segunda chance pra beber água sem culpa. Segunda chance pra poder viajar longas datas sem ter que calcular a hemodiálise da volta, ou tomar suco de laranja natural sem medo de elevar o potássio.
Existem muitas pessoas na fila de transplante esperando uma segunda chance. Aqui no Brasil um doador falecido pode contemplar até oito pessoas com seus órgãos. Esse é meu desejo. Que esse momento doloroso pra um, seja um momento glorioso pra outro. É lindo pensar isso como uma segunda chance, acho que todo mundo merece.
Quinta feira passada eu entrei pra fila de transplante, eu nem estava esperando que isso fosse me acontecer neste momento, porque nas últimas vezes que eu me preparei pra isto deu errado. Então quando você tem experiências negativas consecutivas você acaba se adaptando a esperar o pior. E essa é mais uma lição que eu trago, a gente tem esse hábito de se dissolver a situações que não nos cabe. E eu acho que tudo bem errar com tanto que saibamos reconhecer nosso lugar. Acreditar que dias floridos voltam e sorrisos também aparecem para esquentar nosso estômago. Pessoas de luzes florescentes e espaços que a gente cabe de verdade. Eu falo sobre acreditar, mesmo quando a gente questiona. Duvidar, não desistir. 
A gente não tem que diminuir nada, nadinha, por nada, nem ninguém.
Um dia é a notícia que me aproxima da segunda chance que eu desejo, outro dia quem sabe.
É uma fila de espera que eu resolvi chamar de esperança. Avançar para este momento me traz a certeza de que estou pronta.
Um dia de cada vez. Para todas as chances que merecemos.
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Jaque de Bem Autor

Jaqueline de Bem é jornalista por paixão, idealista de coração e amante da verdade. Ajudar o mundo a se comunicar de forma positiva e verdadeira é a sua missão nessa terra.