Diário de Maria – A rotina cansa, enjoa, satura

Releio textos que escrevi há um tempo e ainda encho os olhos d’água. Não é sempre que me inspiro à escrita. A rotina cansa, enjoa, satura. Acho difícil me comover com as coisas simples quando me sinto afundada pelo cotidiano.

É bom que aceitemos as mudanças. Mas, não podemos perder pelo caminho todas as belezas que conquistamos à nossa forma de ver o mundo

 

A experiência da internação me trouxe alguns sentimentos que parecem padecer ao longo do tempo.
Não só a experiência da internação, como também a experiência do medo de perder, de sumir, de morrer.
Esse ano me apresentou tantas possibilidades de sofrimento, e junto delas, às possibilidades de enfrentamento.
Ao mesmo tempo que sentimos o abismo, encontramos algo, minucioso, que nos faz querer lutar.
E essa luta nos faz enxergar belezas antes não reparadas. Olhares, cheiros, sabores. Pássaros coloridos, cigarras, borboletas.
O tempo passa e a gente cai de novo na tribulação da rotina mal elaborada,  nos desprazeres das dores que sentimos, na falta de afeto. Faltam às cores, as pessoas, os amores. Muito falta.
Mas, há ainda, em profundidade, um sentimento adormecido.
Só releio esses textos porque em algum momento eles me dão força. Choro porque consigo revisitar esses sentimentos.
E, ainda que eu falte, sigo tentando tanto quanto vocês enxergar a potência do que é viver.
O paladar muda, a rotina, mudam os sonhos.
Desejos, prazeres, borboletas no estômago. Tudo muda. Porque estamos circulando com o mundo.
É bom que aceitemos as mudanças. Mas, não podemos perder pelo caminho todas as belezas que conquistamos à nossa forma de ver o mundo.
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Jaque de Bem Autor

Jaqueline de Bem é jornalista por paixão, idealista de coração e amante da verdade. Ajudar o mundo a se comunicar de forma positiva e verdadeira é a sua missão nessa terra.