Ambiente Consciente – 12 de outubro – Dia Mundial para a Prevenção de Desastres Naturais e Dia do Mar – Temos algo a comemorar?

12 de outubro – Dia Mundial para a Prevenção de Desastres Naturais e Dia do Mar – Temos algo a comemorar?

De acordo com um estudo realizado pela Universidade de Queensland, na Austrália, divulgado pela CASACOR em janeiro de 2019, a contaminação dos oceanos, principalmente por plásticos, é responsável pela morte de cerca de 100 mil animais todos os anos. Segundo o presidente do conselho da Associação MarBrasil, Ariel Scheffer, cerca de 700 espécies marinhas são afetadas pela poluição plástica nos mares, incluindo mais de 260 espécies sob algum grau de ameaça de extinção. “Muitos animais se enroscam e ficam feridos ao terem contato com esse tipo de material, mas o problema principal é a ingestão do plástico, que não é um elemento natural no trato digestivo e acaba causando a morte”, explica. A atenção aumenta a essa problemática principalmente nesta época de final e começo de ano, onde as pessoas festejam e migram para as praias para aproveitar as férias, mas nem sempre da forma correta. Segundo um levantamento do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP), todos os anos, cerca de 190 mil toneladas de materiais plásticos são lançadas ao mar, na costa brasileira.

Além de impactar as espécies marinhas, os resíduos descartados nas praias também interferem na vida dos banhistas, que podem se ferir com determinados objetos. A sujeira também reduz a balneabilidade, que é o índice usado para verificar a qualidade da água destinada à recreação. Desse modo, ela se torna imprópria para o banho, podendo gerar contaminação por doenças de pele.

Mas o problema não está apenas nos chamados “macroplásticos”, que são facilmente visíveis por pessoas e animais. As partículas de plástico com menos de cinco milímetros, denominadas de “microplásticos”, podem ser ingeridas indiretamente por peixes, aves, tartarugas e mamíferos marinhos, levando seis vezes mais tempo para serem eliminados do organismo do que o macroplástico, que é ingerido diretamente. Em muitos casos, estes microplásticos entram na cadeia alimentar do homem, quando ele se alimenta de frutos do mar. “Dos animais encontrados mortos, 100% das tartarugas verdes e 75% das aves marinhas possuem algum tipo de plástico no estômago”, explica Scheffer.

Uma das últimas notícias ambientais, que chocou as pessoas, é que todas as tartarugas marinhas do planeta têm plástico no organismo. Um grupo de pesquisadores da Universidade de Exeter, do Laboratório Marinho de Plymouth e do Greenpeace, analisou 102 exemplares de tartarugas marinhas. Os animais que participaram do estudo haviam sido encontrados nos oceanos Atlântico, Pacífico e Mediterrâneo. Todas elas tinham pedaços de plástico no intestino. Mais de 800 partículas sintéticas foram encontradas nas tartarugas analisadas. Como apenas parte do intestino dos animais foi testada, os cientistas estimam que o número total seja até 20 vezes maior.

Por fim, os prejuízos afetam também a economia dos municípios, que precisam aumentar as despesas com a limpeza das praias e perdem a receita com o turismo. No setor da navegação e nas atividades pesqueiras, a produtividade tende a diminuir devido à morte dos peixes e à poluição dos oceanos.

De acordo com o IBAMA, desde o dia 30 de agosto deste ano, manchas de óleo começaram a surgir na costa nordestina. Ao todo são 132 localidades de 61 municípios e 9 estados afetados. Estudos revelam que o óleo não é produzido e nem comercializado no Brasil e que pode ter origem em algum navio que realizou a limpeza de tanques em auto mar e que o material tenha sido levado por correntes marítimas. Imagens de satélite também estão sendo usadas para identificar os pontos afetados.

Os animais marinhos podem ser afetados pela ingestão da substância, que é toxica, pelo contato com a substância grudenta, que acaba por comprometer a locomoção dos animais. As aves e mamíferos ainda podem morrer de frio, pois o material compromete a camada de gordura que eles possuem para se proteger. 16 animais foram encontrados com a substância pelo corpo, 10 foram encontradas mortas ou morreram após o resgate.

O professor e oceanógrafo Alexander Turra, do Departamento de Oceanografia Biológica do Instituto de Oceanografia da USP, aponta que o lixo no mar é apenas a “ponta do iceberg” de agressões e poluentes presentes nesse ambiente por conta da atividade humana, mas considera que dar atenção a ele é uma boa estratégia. Segundo ele, essa é uma forma de dar visibilidade à causa de forma mais nítida e acessível do que focando em partes mais complexas do problema, como por exemplo a contaminação dos oceanos com tributilestanho, que é prejudicial à vida marinha. O oceanógrafo aponta que existem hotspots de acúmulo do lixo em lugares específicos. Alguns são mais próximos à costa, como em praias ou no ambiente bentônico, próximo ao fundo do mar; enquanto outros se encontram nos centros das bacias oceânicas, formando as chamadas ilhas de lixo. O lixo chega até essas regiões mais afastadas por conta de um fenômeno chamado giro oceânico, uma conjunção de ventos e correntes que aprisionam os resíduos no local. Para Turra, o Brasil, apesar de não ser um grande produtor de lixo oceânico como os países do Leste Asiático, consome muitas embalagens e gerencia muito mal e, por isso, é necessário que haja planejamento no sentido de remediar a situação.

Turra questiona ainda a forma elitista como se trata da questão da poluição marítima, sempre focando nas praias sujas, quando, na verdade, o cerne da questão está em onde esse lixo é gerado: regiões de ocupação de baixa renda.

Lançado em lançado em 22 de março de 2019 (Dia Mundial da Água), O Plano Nacional de Combate ao Lixo no Mar é composto de um diagnóstico do problema do lixo no mar no Brasil, valores de referência, situação desejada, modelo de governança, eixos de implementação, diretrizes, indicadores, plano de ação e agenda de atividades e representa uma nova estratégia para enfrentar um problema complexo e que depende da atuação dos governos federal, estaduais e municipais, além do setor produtivo e da sociedade civil organizada. O país apresenta 274 municípios costeiros defrontantes ao mar ao longo de 17 estados e 8.500 km de costa. O Plano apresenta seis eixos de implementação (resposta imediata; gestão de resíduos sólidos; pesquisa e inovação tecnológica; instrumentos de incentivo e pactos setoriais; normatização e diretrizes; educação e comunicação) e está dividido em 30 ações de curto, médio e longo prazo, com ênfase em soluções pragmáticas e concretas que contribuam para a melhoria da qualidade ambiental no curto prazo. Entre as ações, estão previstos projeto piloto para instalação de dispositivos de retenção, como redes coletoras em galerias pluviais e barreiras flutuantes em rios e afluentes; mutirões para a limpeza de praias e mangues; estímulo à coleta seletiva e logística reversa nos municípios costeiros; fomento a projetos de inovação tecnológica para aproveitamento do plástico recolhido do ambiente marinho (fonte: Ministério do Meio Ambiente – MMA).

Vamos aguardar os resultados efetivos.

Camila Michele Ramos Fedel Passoni – Técnica em Gestão Ambiental
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Jaque de Bem Autor

Jaqueline de Bem é jornalista por paixão, idealista de coração e amante da verdade. Ajudar o mundo a se comunicar de forma positiva e verdadeira é a sua missão nessa terra.