Diário de Maria – Vá em paz, Tuta!

Tantas vezes eu escrevo sobre meus sentimentos e sobre o que entendo da vida tendo meus, quase, 26 anos. E, por mais que eu tenha muito que aprender, a vida já me ensinou algumas coisas.

Tuta Ramos Fraga, adeus a uma Deusa.
Hoje foi um dia triste, uma amiga faleceu, e eu me peguei a pensar sobre tantos sentimentos que a gente não sabe administrar. A gente não espera que vai perder alguém, e, de repente, umas pessoas vão sem se despedir.
Eu passei por tanta coisa que, algumas vezes, achei que esse momento tinha chegado pra mim. Parece que a gente fica preparando o terreno para pessoas que nos amam. Eu costumo brincar que, se gatas têm sete vidas, quatro eu já perdi. Só quem tem possíveis diagnósticos como estes, podem imaginar se colocar nesse lugar de pensar sobre a morte como algo palpável. Por sorte, não chegou a minha vez e agora estou bem. Mas, hoje voltei a pensar sobre viver.
Quantas vezes a gente não pensa no final de semana como única chance de felicidade? Nós encaramos trabalhos que não nos trazem alegria, sustentamos relações vazias, empurramos com a barriga alguns problemas e dormimos brigados com pessoas que amamos. Julgamos o outro por não decidir o mesmo que nós. Condenamos a escolha do outro, o hábito do outro, a mania do outro. Reclamamos do frio, do calor, da chuva e da seca. Maltratamos a natureza, trabalhamos pra viver e bebemos pra esquecer dos problemas. A gente planeja encontros que nem vão acontecer.
Tem uma música que eu gosto bastante que diz que não dá pra passar agosto esperando setembro. E não dá mesmo. *Maria Luisa Villela
As pessoas me param nas ruas pra perguntar do meu transplante, e eu sei que é um gesto de carinho, mas, a vida me ensinou a não esperar essa alternativa como única possibilidade pra ser feliz. Eu ainda não sei quando será e nem como. Eu não sou mais um controle e eu acredito no tempo como sendo rei. A gente precisa aprender a ser grato pelo que temos e pelo que não temos também, porque se não temos é porque não precisamos. É possível ser feliz de segunda feira, sentir o cheiro da chuva, a textura dos pelos dos cachorros, o café coado na hora. A gente pode entender que alguns dias não estaremos bem, e quando isso acontecer a gente acolhe o que está sentindo o tempo que for preciso, mas depois solta. Solta porque a vida é um relógio de bateria não recarregável e não dá pra saber quando vai esgotar.
Dá pra ser feliz. Dá pra ser feliz agora.
Minha homenagem a essa mulher que certamente viveu intensamente todos os seus dias.
Vá em paz, Tuta.
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Jaque de Bem Autor

Jaqueline de Bem é jornalista por paixão, idealista de coração e amante da verdade. Ajudar o mundo a se comunicar de forma positiva e verdadeira é a sua missão nessa terra.