Diário de Maria – Nem sempre consigo escrever.

Outro dia me perguntaram qual a coisa que eu mais gostava de fazer e eu disse que era escrever. Só que nem sempre consigo. E semana passada foi assim. Eu comecei um texto por dia, nada bom o suficiente pra oferecer a alguém pra ler. Então fiquei tentando entender o porquê eu não estava conseguindo fazer uma das coisas que mais gosto de fazer. Tive um insight. Tive a mente ocupada por meses com a notícia de um tumor nos meus dois rins. Tendo que me acostumar com a ideia de ter que tirar os dois porque não sabíamos se era maligno e podia ser. Muitas noites sonhando com isso, rezando e pedindo pra não ser e tendo que confiar na escolha dos médicos que a mim parecia ruim porque teria que me condicionar a novos hábitos.

Acho que senti uma descarga emocional tão grande que preferi me ausentar. Não saiu nada, nadinha. *Maria Luisa Villela
Há um mês e alguns dias eu fiz a nefrectomia bilateral, ou seja, retiraram os meus dois rins e eu não faço mais xixi. Então, tenho que ter cuidado com tudo que tomo porque afinal, esses líquidos só saem na sessão de hemodiálise. 
Mas, esse não era o maior problema, e sim o resultado da biópsia que eu esperei quase um mês pra saber.
Deu BENIGNO.
Nunca uma mensagem poderia ser tão especial e maravilhosa, eu liguei pra todos os meus amigos chorando. E eles vibraram comigo.

Me preocupei muitas vezes e essa história durou meses. Sonhando em como seria se tivesse um resultado diferente. Como recomeçar, mais uma vez?

Muitos pensamentos povoaram minha mente e, mesmo assim eu me fiz uma boa amiga, uma boa irmã, uma boa ouvinte e uma boa escritora, a última que, pessoalmente, eu acho que sou principalmente quando estou com medo. Acho que senti uma descarga emocional tão grande que preferi me ausentar. Não saiu nada, nadinha.
Acho que às vezes a gente tem que se permitir falhar. A gente pode se permitir errar. Não temos que nos pressionar o tempo todo a sermos bons, nem sentir culpa se não conseguirmos. Às vezes a gente pode se sentar e não decidir nada. Ou decidir não fazer nada. Podemos dar um tempo, respirar, respeitar nosso corpo.
Todo mundo está tentando, dentro do seu processo, e a nós só cabe sermos gentis.
Maria Luisa Villela
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